A osteoporose é uma doença silenciosa. Na maioria das vezes, não provoca dor ou sintomas perceptíveis. Muitas mulheres, portanto, podem conviver durante anos com a perda de massa óssea sem saber que estão em risco. Em alguns casos, o diagnóstico só acontece depois de uma fratura provocada por uma queda simples ou até por um movimento que, em condições normais, não deveria causar uma lesão.
A doença acontece quando os ossos perdem resistência e ficam mais frágeis e suscetíveis a fraturas. Para entender esse processo, é importante lembrar que o tecido ósseo está em constante renovação. Ao longo da vida, o organismo remove tecido ósseo antigo e produz tecido novo. Durante a juventude, a formação costuma superar a perda. Com o envelhecimento, porém, esse equilíbrio muda e a perda de massa óssea pode se tornar mais rápida do que a capacidade de reposição.
Nas mulheres, esse processo merece atenção especial após a menopausa. Isso acontece principalmente pela redução dos níveis de estrogênio, hormônio que participa da manutenção da saúde dos ossos. A queda hormonal pode acelerar a perda de massa óssea e aumentar o risco de osteoporose.
O risco também depende de outros fatores, como idade, baixo peso corporal, histórico familiar de fratura de quadril, tabagismo, consumo excessivo de álcool, algumas doenças, como o diabetes e uso prolongado de determinados medicamentos, incluindo os corticosteroides.
Uma pessoa pode ter uma redução progressiva da densidade mineral óssea e continuar realizando suas atividades normalmente. Não existe, necessariamente, uma dor que indique que os ossos estão ficando mais frágeis. Por isso, uma fratura decorrente de um trauma de baixa intensidade pode acabar sendo o primeiro indício de que a resistência óssea já estava comprometida.
Além do impacto imediato, uma fratura osteoporótica pode aumentar o risco de novas fraturas e comprometer a mobilidade e a qualidade de vida. Dados reunidos pela United States Preventive Services Task Force indicam que apenas cerca de 40% a 60% das pessoas que sofrem esse tipo de fratura recuperam o mesmo nível de mobilidade e capacidade para realizar as atividades diárias que tinham antes da lesão.
A boa notícia é que não é necessário esperar uma fratura acontecer para investigar a saúde dos ossos. A densitometria óssea é o principal exame utilizado para avaliar a densidade mineral óssea. Ainda assim, o resultado da densitometria não deve ser analisado isoladamente. A avaliação médica também considera a idade, o histórico de fraturas, doenças, medicamentos utilizados e outros fatores que podem interferir no risco de novas fraturas.
Para mulheres após a menopausa com menos de 65 anos, a orientação é avaliar os fatores de risco e, quando houver indicação, realizar a investigação. Por isso, uma mulher mais jovem não deve necessariamente esperar chegar aos 65 anos para conversar com o médico sobre sua saúde óssea se apresentar fatores que aumentem seu risco.
Especialista em Endocrinologia pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ofereço tratamento e acompanhamento para pessoas que buscam viver mais e melhor, elevando a saúde e o bem-estar de cada paciente.
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